A paralisação dos motoristas de ônibus de Campo Grande, na manhã desta quarta-feira (22), reacendeu o debate sobre a atuação do Consórcio Guaicurus e a qualidade do transporte coletivo na Capital. O protesto foi a alternativa encontrada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande (STTCU) para pressionar o consórcio a pagar o adiantamento salarial da categoria. A paralisação terminou por volta das 6h30, com a retomada gradual dos coletivos, mas há possibilidade de nova suspensão total do serviço na próxima segunda-feira (27), caso o impasse não seja resolvido.
O vereador Beto Avelar comentou o episódio e criticou duramente a postura do Consórcio Guaicurus, que administra o sistema de transporte coletivo na cidade. “O consórcio Guaicurus tem funcionado como um saco sem fundo. A Prefeitura dá a isenção que eles pedem e eles não melhoram o serviço. E sistematicamente, todos os anos, querem aumentar o preço da passagem de ônibus”, afirmou. Segundo o parlamentar, a empresa busca repassar à população ou ao Poder Público os custos de qualquer investimento. “Qualquer tipo de investimento que eles fazem, querem passar a conta para a Prefeitura ou para a população pagar. E hoje a gente vê uma paralisação dos funcionários que estão insatisfeitos com o não pagamento de um valor que foi negociado e acordado com o sindicato e a empresa joga a culpa na Prefeitura”, completou.
Beto Avelar também destacou que, apesar das falhas, o rompimento imediato do contrato com o consórcio não é uma solução simples. “Nós temos que ter responsabilidade. Não dá para simplesmente cortar o contrato porque há uma questão de segurança jurídica. Se, no passado, esse contrato foi mal formulado, isso já é uma outra história. Esse contrato tem começo, meio e fim, e isso precisa ser cumprido”, explicou. O vereador citou exemplos de situações em que o consórcio teria se beneficiado de concessões públicas, sem contrapartida adequada. “Há uns dez anos o Consórcio Guaicurus age dessa maneira, de trocas a partir de concessão de benefícios. A instalação de ar-condicionado nos ônibus, por exemplo — o consórcio não viu problema, mas garantiu que passaria o valor da conta para a Prefeitura pagar. Então, o consórcio dá com uma mão, mas pega de volta com a outra”, criticou.
Para Beto Avelar, é preciso rever a forma como o transporte público é gerido na Capital. “Quem utiliza o transporte público aqui sabe que é um péssimo serviço oferecido. Eu sou contrário a qualquer tipo de favorecimento ao Consórcio Guaicurus. É o consórcio que tem que fazer algo em favor do povo da Capital”, finalizou o vereador.