A dor de uma mãe tomou conta do plenário da Câmara Municipal nesta semana. Ariane de Lima Gonçalves da Cunha, mãe do pequeno Dante — bebê que não sobreviveu após o parto —, ocupou a tribuna para pedir justiça e apuração sobre o que realmente aconteceu na maternidade onde o filho nasceu. Em um relato comovente, Ariane denunciou supostos casos de negligência e violência obstétrica, chamando a atenção para outras mães que também enfrentaram situações semelhantes, mas que, assim como ela, não tiveram seus filhos de volta.
Diante do depoimento, o vereador Beto Avelar destacou a importância de dar visibilidade e denunciar casos de erros médicos e violência obstétrica, enfatizando que o silêncio em torno dessas práticas apenas perpetua a dor de outras famílias. Para o parlamentar, cada denúncia é um passo essencial para romper com a impunidade e proteger outras vidas.
“Denunciar o erro médico é um ato de coragem e de amor — não apenas por quem já sofreu, mas por quem ainda pode ser vítima do mesmo descuido. Por muito tempo, acreditei que erros médicos, negligências, omissão e violência obstétrica eram raros, mas hoje percebo que são mais comuns do que imaginamos. Só compreendemos a gravidade disso quando a tragédia acontece dentro da nossa casa, como aconteceu na minha família. Por isso, precisamos falar, dar visibilidade e exigir responsabilidade”, afirmou o vereador Beto Avelar.
O parlamentar relembrou ainda a própria trajetória marcada por dor e luta por justiça. Beto Avelar é pai de Juninho, que ficou em estado neurovegetativo após um erro médico durante uma cirurgia simples. Ele ressaltou que a vitória recente obtida no Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) representa não apenas um alívio pessoal, mas um avanço na luta por ética e responsabilidade na área da saúde.
“O silêncio sobre o erro médico é cúmplice do próximo erro. Precisamos denunciar. O CRM-MS não foi conivente com os médicos que destruíram a vida de meu filho e da minha família. Foram anos de espera e dor. A justiça para o paciente é a única cura para o erro médico”, declarou Beto Avelar, emocionado.
“Nos últimos dias, recebi inúmeras mensagens de pessoas que também sofreram com erros médicos. Isso mostra o quanto esse problema é grave e precisa ser enfrentado com coragem e verdade. Seguimos firmes para que novos casos não aconteçam e nenhuma família passe pelo que passamos.”
Entenda o caso Juninho
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) concluiu o julgamento dos médicos envolvidos no caso de Roberto de Avelar Junior, o Juninho, filho do vereador Beto Avelar, que ficou em estado neurovegetativo após uma sequência de erros durante uma cirurgia simples para retirada de uma placa no braço.
O anestesista Antônio Rodrigues Pontes Neto e a diretora técnica do Hospital Adventista do Pênfigo, Karin Kiefer Martins, foram punidos com 30 dias de suspensão do exercício profissional, a sanção máxima prevista no âmbito do Conselho. Ambos foram condenados por unanimidade por infrações ao Código de Ética Médica, incluindo negligência, imperícia, imprudência e omissão diante de condutas antiéticas.
A decisão representa um marco na luta do vereador e de sua família por justiça. O caso, que mobiliza a sociedade sul-mato-grossense há anos, teve no julgamento do CRM-MS um importante passo em direção à responsabilização dos profissionais envolvidos e à prevenção de novos casos de negligência médica.
Conforme o vereador Beto Avelar, a expectativa agora é que os médicos punidos recorram ao Conselho Federal de Medicina (CFM), e a defesa buscará a cassação definitiva dos registros profissionais. “Foi um passo importante na busca por verdade e dignidade. Que essa decisão sirva para fortalecer outras famílias que ainda esperam justiça”, concluiu o parlamentar.